Os "normais" levantavam sempre do mesmo jeito. Reclamavam da mesma maneira. Irritavam-se do mesmo modo. Xingavam com as mesmas palavras. Cumprimentavam os íntimos da mesma forma. Davam as mesmas respostas para os mesmos problemas. Expressavam o mesmo humor em casa e no trabalho. Tinham as mesmas reações diante das mesmas circunstâncias. Davam presentes nas mesmas datas. Enfim, tinham uma rotina estafante e previsível, que se tornava uma fonte excelente para a ansiedade, a angústia, o vazio, o enfado.
O sistema havia enfartado a imaginação das pessoas, corroera a sua criatividade. Elas raramente surpreendiam. Raramente davam presentes em dias inesperados. Raramente reagiam de modo distinto em situações tensas. Raramente libertavam o intelecto para enxergar os fenômenos sociais por outros ângulos. Eram prisioneiras e não sabiam.
Os pais "normais", quando iam corrigir ou aconselhar os filhos, eram interrompidos no meio do caminho. Os filhos não aguentavam mais os mesmos argumentos. Diziam: "Eu já sei...". E já sabiam mesmo. Os "normais" não sabiam encantar. Não sabiam contar suas próprias experiências para estimular as idéias dos outros.
Alguns professores eram muitos previsíveis ao se relacionar com os alunos, dão aula no mesmo tom de voz. Fazia críticas e dava broncas da mesma maneira. Variam os verbos e substantivos, mas não a forma e o conteúdo. Os alunos estarão com o saco cheio de professores que parecia mais uma múmia do Egito do que um ser humano versátil. Eles não guentavam mais ouvir que seriam dorrotados na vida se não estudassem.
Texto tirado do livro "O Vendedor de Sonhos" de Augusto Cury.