Os "normais" levantavam sempre do mesmo jeito. Reclamavam da mesma maneira. Irritavam-se do mesmo modo. Xingavam com as mesmas palavras. Cumprimentavam os íntimos da mesma forma. Davam as mesmas respostas para os mesmos problemas. Expressavam o mesmo humor em casa e no trabalho. Tinham as mesmas reações diante das mesmas circunstâncias. Davam presentes nas mesmas datas. Enfim, tinham uma rotina estafante e previsível, que se tornava uma fonte excelente para a ansiedade, a angústia, o vazio, o enfado.
O sistema havia enfartado a imaginação das pessoas, corroera a sua criatividade. Elas raramente surpreendiam. Raramente davam presentes em dias inesperados. Raramente reagiam de modo distinto em situações tensas. Raramente libertavam o intelecto para enxergar os fenômenos sociais por outros ângulos. Eram prisioneiras e não sabiam.
Os pais "normais", quando iam corrigir ou aconselhar os filhos, eram interrompidos no meio do caminho. Os filhos não aguentavam mais os mesmos argumentos. Diziam: "Eu já sei...". E já sabiam mesmo. Os "normais" não sabiam encantar. Não sabiam contar suas próprias experiências para estimular as idéias dos outros.
Alguns professores eram muitos previsíveis ao se relacionar com os alunos, dão aula no mesmo tom de voz. Fazia críticas e dava broncas da mesma maneira. Variam os verbos e substantivos, mas não a forma e o conteúdo. Os alunos estarão com o saco cheio de professores que parecia mais uma múmia do Egito do que um ser humano versátil. Eles não guentavam mais ouvir que seriam dorrotados na vida se não estudassem.
Texto tirado do livro "O Vendedor de Sonhos" de Augusto Cury.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
sábado, 30 de agosto de 2008
"Você já foi ao Pelô nega ? não ? Ah, tem que ir... tem que ir... "
"...Simplesmente, a carne dos Deuses em minha cara, eu volto ao monte, eu volto ao monte..."
Tocava no carro de Cristiano, "a carne dos Deuses" da banda Scambo rumo ao centro de Salvador.
Estávamos indo pesquisar um violão para Cristiano e para ajudar com a nossa pré-produção da Musitecnia.
Na ida até a Barra, tranquilidade, nós já acostumados com a orla de Salvador e com o mar, pois moro perto da praia e sou morador de orla.
Chegando ao centro, um susto. Havia muita gente em uma só rua, coisas que não via quase nunca na Pituba, "lá você encontra de tudo" já dizia Irna, moradora de Nazaré. Já imaginaria que iria ficar com dor de cabeça com aquele todo trânsito. Uma zoadeira danada de automóveis estilo São Paulo, que tava difícil de acostumar. Quase pergunto a Cris se não estaríamos em uma Av. Paulista ou Augusta da vida. "Tanto tempo que não passo por aqui" pensava. Posso até está exagerando, mas eu parecia um estrangeiro em ruas movimentadíssimas que não passava a tempos.
Vendo o Pelourinho, me dei conta que estaríamos realmente em Salvador. E por fim, chegamos.
No Pelourinho viamos toda a beleza cultural baiana, nego fazendo tranças, capoeiristas, bem no centro da principal praça, eu e Cristiano nos deparamos com um turista/hippie. Paramos para ver junto com umas 10 pessoas ao seu redor, todas fascinadas com a sua obra.
Um boneco de pano feito por ele, que tocava uma "mini-bateria" ao som de um reggae roots que o mesmo botava pra acompanhar. Ia tirar uma foto, só que tinha esquecido o celular no carro.
Foi uma passeio tranquilo, tirando o sol escaldante na cabeça e os moradores de rua pedindo esmola e já pegando seu braço para por uma fitinha do Senhor do Bonfim, me confundindo com turista. Era foda, mas falava alguma linguagem bem baianês e eles já deixavam pra lá, sacando que não era mais um de muitos um turistas que passara por ali.
Lojas de instrumentos era o que não faltava, passamos por umas cinto ou seis lojas para ver o violão. Enquanto Cristiano ia testanto e uns violões eu ia vendo umas guitarras e baixo.
- Deixa eu ligar pra ficar melhor. - o vendedor dizia ligando, não dando tempo para dizer que só estaria dando uma "olhadinha".
- Agora sim.
E já estava tocando com um som ligado à caixa.
Em cada loja que entravamos sempre havia alguém tocando algum instrumento: bandolin, violão, atabaques... até certos vendedores ficavam tocando, passando o tempo deo trampo enquanto não aparecia clientes na loja.
Entramos numa última loja para ver o violão, a Ritmos.
Cris tinha deparado com um Kashima preto.
- Rapaz, você não é desconhecido. - disse o vendedor, moderno, que toca em uma banda de rock, que esqueci agora o nome. - Você anda por ali pelo Nhô Caldos no Rio Vermelho, não é? - perguntou a Cristiano.
Ele, nato morador e criado no Rio Vermelho, disse que sim.
Cris pregou o olho no Kashima.
- É esse.
Demos uma outra volta para ver instrumentos em outras lojas, e Cristiano se decidiu pelo Kashima.
Nos despedimos do vendedor e fomos para o estacionamento onde estaria o carro.
Na volta ao som do Cascadura das antigas, Dr.Cascadura, voltavamos pela Barra, com o sol agora um pouco mais baixo e com o Kashima preto na bagagem. Com a dor de cabeça sacana. Era o início da nossa pré-produção com a Musitecnia.
Tocava no carro de Cristiano, "a carne dos Deuses" da banda Scambo rumo ao centro de Salvador.
Estávamos indo pesquisar um violão para Cristiano e para ajudar com a nossa pré-produção da Musitecnia.
Na ida até a Barra, tranquilidade, nós já acostumados com a orla de Salvador e com o mar, pois moro perto da praia e sou morador de orla.
Chegando ao centro, um susto. Havia muita gente em uma só rua, coisas que não via quase nunca na Pituba, "lá você encontra de tudo" já dizia Irna, moradora de Nazaré. Já imaginaria que iria ficar com dor de cabeça com aquele todo trânsito. Uma zoadeira danada de automóveis estilo São Paulo, que tava difícil de acostumar. Quase pergunto a Cris se não estaríamos em uma Av. Paulista ou Augusta da vida. "Tanto tempo que não passo por aqui" pensava. Posso até está exagerando, mas eu parecia um estrangeiro em ruas movimentadíssimas que não passava a tempos.
Vendo o Pelourinho, me dei conta que estaríamos realmente em Salvador. E por fim, chegamos.
No Pelourinho viamos toda a beleza cultural baiana, nego fazendo tranças, capoeiristas, bem no centro da principal praça, eu e Cristiano nos deparamos com um turista/hippie. Paramos para ver junto com umas 10 pessoas ao seu redor, todas fascinadas com a sua obra.
Um boneco de pano feito por ele, que tocava uma "mini-bateria" ao som de um reggae roots que o mesmo botava pra acompanhar. Ia tirar uma foto, só que tinha esquecido o celular no carro.
Foi uma passeio tranquilo, tirando o sol escaldante na cabeça e os moradores de rua pedindo esmola e já pegando seu braço para por uma fitinha do Senhor do Bonfim, me confundindo com turista. Era foda, mas falava alguma linguagem bem baianês e eles já deixavam pra lá, sacando que não era mais um de muitos um turistas que passara por ali.
Lojas de instrumentos era o que não faltava, passamos por umas cinto ou seis lojas para ver o violão. Enquanto Cristiano ia testanto e uns violões eu ia vendo umas guitarras e baixo.
- Deixa eu ligar pra ficar melhor. - o vendedor dizia ligando, não dando tempo para dizer que só estaria dando uma "olhadinha".
- Agora sim.
E já estava tocando com um som ligado à caixa.
Em cada loja que entravamos sempre havia alguém tocando algum instrumento: bandolin, violão, atabaques... até certos vendedores ficavam tocando, passando o tempo deo trampo enquanto não aparecia clientes na loja.
Entramos numa última loja para ver o violão, a Ritmos.
Cris tinha deparado com um Kashima preto.
- Rapaz, você não é desconhecido. - disse o vendedor, moderno, que toca em uma banda de rock, que esqueci agora o nome. - Você anda por ali pelo Nhô Caldos no Rio Vermelho, não é? - perguntou a Cristiano.
Ele, nato morador e criado no Rio Vermelho, disse que sim.
Cris pregou o olho no Kashima.
- É esse.
Demos uma outra volta para ver instrumentos em outras lojas, e Cristiano se decidiu pelo Kashima.
Nos despedimos do vendedor e fomos para o estacionamento onde estaria o carro.
Na volta ao som do Cascadura das antigas, Dr.Cascadura, voltavamos pela Barra, com o sol agora um pouco mais baixo e com o Kashima preto na bagagem. Com a dor de cabeça sacana. Era o início da nossa pré-produção com a Musitecnia.
domingo, 10 de agosto de 2008
Os Insetos Interiores
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares, de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas, não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo, queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega se de "mais tralos".
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
cortam os troncos, urinam nos rios e nas somas dos desagravos,
greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se.
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias, não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
by Fernando Anitelli.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares, de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas, não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo, queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega se de "mais tralos".
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
cortam os troncos, urinam nos rios e nas somas dos desagravos,
greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se.
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias, não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
by Fernando Anitelli.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Resgatei o meu futuro
Ela está de volta, agora resgatando um futuro. Texto verídico e muito divertido, competido no concurso do ECA.
Por Cirlene Maria Vilas Boas Cunha :
Resgatei o meu futuro.
Chiquinho é mais um filho quase abortado
Da nossa mãe gentil.
Pátria amada; Brasil.
Mais um filho quase perdido na jornada,
Entregue à própria sorte, nessa longa estrada.
Triste sina do menino, largado no mundo.
Um pobre coitado, taxado de vagabundo.
Frustração é o resumo do seu ser.
Filho da miséria, condenado a padecer
Vendendo doces nas ruas pra poder sobreviver.
Nunca brincou.
Pouco estudou.
A cantiga de ninar que sempre escutou:
" Boi, boi, boi, boi-da-cara-preta,
Pega este menino com um tiro de escopeta"(Valeu ai, Pensador).
Ele não foi vacinado.
Ele não é batizado.
Nunca foi consultado.
Ele não é comemorado.
Ele não é respeitado.
Ele não é pecador.
Pode até nem parecer, mas ele é filho do Senhor.
Chiquinho chegou tristemente à adolescência,
Sem saber a razão da sua existência.
À que veio a este mundo com tanta violência.
Mesmo tendo mãe biológica; aquela que o pariu,
Morava pelas ruas, sentindo fome, sede e frio.
Já nasceu renegado e cresceu atormentado.
Sem ter muito o que esperar,
Tinha tudo para ser um revoltado
E por vezes ele até se revoltou.
Mas nunca roubou.
Nunca Matou.
Felizmente houve como resgatar
Sua esperança.
Sua auto-estima,
Antes de aprender a assaltar, matar e roubar.
No paupérrimo bairro onde cresceuandando solitário,
Chegou um projeto social que lhe mudou o itinerário.
Nasceu dentro dele uma enorme vontade.
Um desejo muito forte de mudar a realidade.
De não ser mais um culpado inocente,
Cumprindo pena imposta por sistema indecente.
Fundação Cidade-Mãe é o nome da entidade,
Com projetos de oficinas para o menor carente,
Oferece-lhes oportunidade de sair das ruas
E de se tornarem pessoas com futuro diferente.
A educação, já se sabe, é o caminho a ser percorrido para que se vire o jogo.
Jogo sujo.
Aliás; jogo imundo.
Onde o povo aceita todas as regras.
Onde se aceita absolutamente tudo.
Onde há passividade e ninguém faz nada.
Nem a classe dominante, nem a classe dominada.
É regra, inclusive, deixar a população ignorante.
É regra também deixar toda gente ignorada.
É regra deixar o povo cada vez mais calado.
E dizem por ai que a voz do povo é a voz de Deus.
O silêncio, então, deve ser a do diabo.
Mas Chiquinho viu a fome chegar.
Fome de comida e fome de futuro.
Fome de comer e fome de estudar.
Resolvido, desta forma, a derrubar o muro,
Inscreveu-se no projeto e começou a frequêntar
Oficina de dança. Curso profissionalizante.
Foi até discrimidado, mas seguiu adiante.
Tomou gosto e logo foi se empolgando.
Dedicou-se muito, e um pouco mais lá na frente,Recebeu belo convite.
Uma proposta decente,Para ir ao exterior propagar o seu talento;
Dançar, interpretar, lecionar e lá ficar.
Estabeleceu-se na Itália, ganhando muito bem
Como professor de dança africana.
Venceu como profissional e como gente também.
Hoje ele sustenta de longe a sua genitora,
Que continua na Pátria que o pariu.
Ambas devem orgulhar-se deste filho
Que hoje tem uma vida e uma identidade.
A vida que de fato ele merece ter,
E tem certeza de que é gente de verdade.
É um exemplo vivo de que cultura é postura,
É ter opinião e saber se expressar.
É ter dignidade e poder se sustentar.
Cultura, na verdade, é o que pode garantir
O direito de olhar à frente e poder seguir.
Educação é possibilidade de contestação social,
E de viver dignamente sem levar porrada
Parado no mesmo lugar, sendo saco de pancada.
Para garantir artigos de determinado
Estatuto,que defende direitos de crianças e adolescentes,
Existe esta Fundação de natureza governamental.
Que tem todo um trabalho social
Em prol destes direitos que vale mencionar:
Direito de ser cuidado.
Direito de receber educação.
De ter acesso à cultura e lazer.
De não ser humilhado e conseguir sobreviver.
Direito de não ser espancado pela vida.
Direito de ser protegido.
E de não apanhar da mãe-pátria querida.
Direito de ter direitos,
Para não mais ser constrangido.
Todos eles, previstos por lei,
São o foco desta referida instituição
De assistência ao menor cidadão,
Que vem somando vários exemplos,
De que é preciso investir em educação,
Pois é assim que se constrói a cidadania
Do menor que está em formação.
Assim é que se vence a dura realidade,
É assim que se supera as adversidades.
Pois quando a gente muda, o mundo muda igual.
E quando o mundo muda, muda a nossa mente.
E na mudança da mente, muda a situação social.
Portanto, que se faça valer as leis referentes
Aos direitos de todo povo, sem restrições.
E que venham muitas e muitas outras
Fundações.Assim ainda resta, ao povo sofrido que passa mal,
Esperança de poder aparecer no cartão postal,
Sem ser considerado um sub-cidadão,
E de não ser mais um excluído social,
Nem ser visto pelos mais ricos como poluição.
Por Cirlene Maria Vilas Boas Cunha :
Resgatei o meu futuro.
Chiquinho é mais um filho quase abortado
Da nossa mãe gentil.
Pátria amada; Brasil.
Mais um filho quase perdido na jornada,
Entregue à própria sorte, nessa longa estrada.
Triste sina do menino, largado no mundo.
Um pobre coitado, taxado de vagabundo.
Frustração é o resumo do seu ser.
Filho da miséria, condenado a padecer
Vendendo doces nas ruas pra poder sobreviver.
Nunca brincou.
Pouco estudou.
A cantiga de ninar que sempre escutou:
" Boi, boi, boi, boi-da-cara-preta,
Pega este menino com um tiro de escopeta"(Valeu ai, Pensador).
Ele não foi vacinado.
Ele não é batizado.
Nunca foi consultado.
Ele não é comemorado.
Ele não é respeitado.
Ele não é pecador.
Pode até nem parecer, mas ele é filho do Senhor.
Chiquinho chegou tristemente à adolescência,
Sem saber a razão da sua existência.
À que veio a este mundo com tanta violência.
Mesmo tendo mãe biológica; aquela que o pariu,
Morava pelas ruas, sentindo fome, sede e frio.
Já nasceu renegado e cresceu atormentado.
Sem ter muito o que esperar,
Tinha tudo para ser um revoltado
E por vezes ele até se revoltou.
Mas nunca roubou.
Nunca Matou.
Felizmente houve como resgatar
Sua esperança.
Sua auto-estima,
Antes de aprender a assaltar, matar e roubar.
No paupérrimo bairro onde cresceuandando solitário,
Chegou um projeto social que lhe mudou o itinerário.
Nasceu dentro dele uma enorme vontade.
Um desejo muito forte de mudar a realidade.
De não ser mais um culpado inocente,
Cumprindo pena imposta por sistema indecente.
Fundação Cidade-Mãe é o nome da entidade,
Com projetos de oficinas para o menor carente,
Oferece-lhes oportunidade de sair das ruas
E de se tornarem pessoas com futuro diferente.
A educação, já se sabe, é o caminho a ser percorrido para que se vire o jogo.
Jogo sujo.
Aliás; jogo imundo.
Onde o povo aceita todas as regras.
Onde se aceita absolutamente tudo.
Onde há passividade e ninguém faz nada.
Nem a classe dominante, nem a classe dominada.
É regra, inclusive, deixar a população ignorante.
É regra também deixar toda gente ignorada.
É regra deixar o povo cada vez mais calado.
E dizem por ai que a voz do povo é a voz de Deus.
O silêncio, então, deve ser a do diabo.
Mas Chiquinho viu a fome chegar.
Fome de comida e fome de futuro.
Fome de comer e fome de estudar.
Resolvido, desta forma, a derrubar o muro,
Inscreveu-se no projeto e começou a frequêntar
Oficina de dança. Curso profissionalizante.
Foi até discrimidado, mas seguiu adiante.
Tomou gosto e logo foi se empolgando.
Dedicou-se muito, e um pouco mais lá na frente,Recebeu belo convite.
Uma proposta decente,Para ir ao exterior propagar o seu talento;
Dançar, interpretar, lecionar e lá ficar.
Estabeleceu-se na Itália, ganhando muito bem
Como professor de dança africana.
Venceu como profissional e como gente também.
Hoje ele sustenta de longe a sua genitora,
Que continua na Pátria que o pariu.
Ambas devem orgulhar-se deste filho
Que hoje tem uma vida e uma identidade.
A vida que de fato ele merece ter,
E tem certeza de que é gente de verdade.
É um exemplo vivo de que cultura é postura,
É ter opinião e saber se expressar.
É ter dignidade e poder se sustentar.
Cultura, na verdade, é o que pode garantir
O direito de olhar à frente e poder seguir.
Educação é possibilidade de contestação social,
E de viver dignamente sem levar porrada
Parado no mesmo lugar, sendo saco de pancada.
Para garantir artigos de determinado
Estatuto,que defende direitos de crianças e adolescentes,
Existe esta Fundação de natureza governamental.
Que tem todo um trabalho social
Em prol destes direitos que vale mencionar:
Direito de ser cuidado.
Direito de receber educação.
De ter acesso à cultura e lazer.
De não ser humilhado e conseguir sobreviver.
Direito de não ser espancado pela vida.
Direito de ser protegido.
E de não apanhar da mãe-pátria querida.
Direito de ter direitos,
Para não mais ser constrangido.
Todos eles, previstos por lei,
São o foco desta referida instituição
De assistência ao menor cidadão,
Que vem somando vários exemplos,
De que é preciso investir em educação,
Pois é assim que se constrói a cidadania
Do menor que está em formação.
Assim é que se vence a dura realidade,
É assim que se supera as adversidades.
Pois quando a gente muda, o mundo muda igual.
E quando o mundo muda, muda a nossa mente.
E na mudança da mente, muda a situação social.
Portanto, que se faça valer as leis referentes
Aos direitos de todo povo, sem restrições.
E que venham muitas e muitas outras
Fundações.Assim ainda resta, ao povo sofrido que passa mal,
Esperança de poder aparecer no cartão postal,
Sem ser considerado um sub-cidadão,
E de não ser mais um excluído social,
Nem ser visto pelos mais ricos como poluição.
sábado, 14 de junho de 2008
Os Pássaros
Solidão tomou conta
Onde você não vê ninguém
Num final de tarde
Cheio de nuvens
Onde você não possa fazer nada
Ou se quer compartilhar assuntos
Então você ficara alí
Sozinho
Talvez da sua janela
Olhando uma rua
Tão só como você
Ou tão brilhante
Como os teus olhos cheios de esperança
Sigo o meu caminho perambulando pela praça
Esquematizando o meu repertório
A rua será o meu público
Com todas as atenções voltadas pra mim
Finalmente, consegui
Agora canto
Canto até o canto dos pássaros me acompanhar
Com eles minha melodia só tem a se expressar
Tarde indo embora
Pessoas começam a aparecer
Como um flash
Sem sequer bater
À uma sintonia forte
Brava
E ao mesmo tempo
Um cântico doce como uma flauta
O sol já vai se pondo
Daqui a pouco
Mais uma noite se aproximando
Tento levar como uma última vez
Como se aquele encontro simples
Se transformasse numa tarde inesquecível
Pelo amanhã eu espero
Por outra tarde daquelas
Com os pássaros vindo novamente
E eu na espera.
Onde você não vê ninguém
Num final de tarde
Cheio de nuvens
Onde você não possa fazer nada
Ou se quer compartilhar assuntos
Então você ficara alí
Sozinho
Talvez da sua janela
Olhando uma rua
Tão só como você
Ou tão brilhante
Como os teus olhos cheios de esperança
Sigo o meu caminho perambulando pela praça
Esquematizando o meu repertório
A rua será o meu público
Com todas as atenções voltadas pra mim
Finalmente, consegui
Agora canto
Canto até o canto dos pássaros me acompanhar
Com eles minha melodia só tem a se expressar
Tarde indo embora
Pessoas começam a aparecer
Como um flash
Sem sequer bater
À uma sintonia forte
Brava
E ao mesmo tempo
Um cântico doce como uma flauta
O sol já vai se pondo
Daqui a pouco
Mais uma noite se aproximando
Tento levar como uma última vez
Como se aquele encontro simples
Se transformasse numa tarde inesquecível
Pelo amanhã eu espero
Por outra tarde daquelas
Com os pássaros vindo novamente
E eu na espera.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Quando o sono não chegar...
Neste quarto de fogo solitário
No telhado um letreiro esfumaçado
Candeeiro no peito iluminado
O cigarro no dedo incendiário
O cinzeiro esperando o comentário
Da palavra carvão fogo de vela
Meus dois olhos pregados na janela
Vendo a hora ela entrar nessa cidade
Tô fumando o cigarro da saudade
E a fumaça escrevendo o nome dela
O prazer de quem tem saudade é saudade todo dia
Ela é maltratadeira
Além de ser matadeira ô saudade companheira
De quem não tem companhia
Eu vou casar com a saudade
Numa madrugada fria
Na saúde e na doença
Na tristeza e na alegria
Quando o sono não chegar
No mais distante lugar
No deserto beira mar
Dia e noite, noite e dia.
José Paes Lira.
No telhado um letreiro esfumaçado
Candeeiro no peito iluminado
O cigarro no dedo incendiário
O cinzeiro esperando o comentário
Da palavra carvão fogo de vela
Meus dois olhos pregados na janela
Vendo a hora ela entrar nessa cidade
Tô fumando o cigarro da saudade
E a fumaça escrevendo o nome dela
O prazer de quem tem saudade é saudade todo dia
Ela é maltratadeira
Além de ser matadeira ô saudade companheira
De quem não tem companhia
Eu vou casar com a saudade
Numa madrugada fria
Na saúde e na doença
Na tristeza e na alegria
Quando o sono não chegar
No mais distante lugar
No deserto beira mar
Dia e noite, noite e dia.
José Paes Lira.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Como gente grande.
Outro dia conheco um garotinho que sempre está por aqui pelo Júlio César vendendo amendoins torrados. Ele se chama Israel dos Santos Nascimento e tem 9 anos de idade, aparentando uns 5. Mora no bairro do Buquêrão - Parque da Cidade e estuda na Escola São João, está na 4ª série.
Tem o seu lado diabinho de ser, xinga que é uma beleza, gosta de bater uma "luvinha" com conhecidos e bater pra valer, bate na sua cabeça se você estiver de costas a ele, não podendo dar mole porque o murro é pesado. Pois é, o garotinho é pequeno mais é um capetinha.
Sentado, tocando meu violão vejo ele passando, para o lado e pro outro, sem parar, até a rua não ter mais movimentação, pessoas no bar, comprando pão.
A noite é bem cansativa pra ele, as pessoas que vêem ele vendendo amendoin pensam "Mais que menino pequetitico..." e sempre compram na mão dele. O pai, fica sentado numa praça com a sua bandeija de amendoins cheia, enquanto o pequetitico Rael trabalha forte, cansativo, ele e o seu irmão, maiorzinho um pouco.
Sempre que estou na praça tocando violão ele vem conversar comigo. Teve um dia que ele não guentava mais trabalhar, sentou ao meu lado e suspirou forte, tadinho, estara cansado e não poderia falar nada, pobre garotinho inocente.
- E aí cabeludo --- diz ele com uma voz fininha e cheio de gírias.
- Fala mosquinha, conseguiu vender bastante ? ( sempre que faço essa pergunta ele não responde, virando a cara ).
Fica conversando comigo uns dois minutinhos e depois sai pra vender mais.
Um dia estava numa lanchonete daqui do Júlio conversando com amigos, até quando vejo ele sentar ao meu lado, dessa vez ficamos conversando pra valer, por uns minutinhos a mais. Olhei pra carinha dele exausta e disse :
- Fala mosquinha.
- Diga cabeludo
- Me diz uma coisa, do que você gosta de brincar ?
- Gosto de jogar futebol, basquete, picula.... várias coisas, cabeludo. ( toda vez que olha pra minha cara e fala alguma coisa, me chama de cabeludo com uma cara meio que de infezadinho. )
Mas é isso, esse exemplo do pequeno grande Israel que queria passar aqui. Vemos nas ruas de nossa rotina crianças ralando bastante, como gente grande pra conseguir um pão com cafézinho de cada dia numa bela manhã. Serve para agente sempre fazer o bem pra essas crianças inocentes, não olhar pra elas de uma outra forma, porque essas crianças tem todo o direito do mundo de crescer como pessoas saudáveis e com uma cidadania boa de estatuto estável. Mas é complicado, sempre a desigualdade social vem ao meu olhar, ao meu olhar de preocupação, olhar de desespero, enfim, olhar de decepção.
Tem o seu lado diabinho de ser, xinga que é uma beleza, gosta de bater uma "luvinha" com conhecidos e bater pra valer, bate na sua cabeça se você estiver de costas a ele, não podendo dar mole porque o murro é pesado. Pois é, o garotinho é pequeno mais é um capetinha.
Sentado, tocando meu violão vejo ele passando, para o lado e pro outro, sem parar, até a rua não ter mais movimentação, pessoas no bar, comprando pão.
A noite é bem cansativa pra ele, as pessoas que vêem ele vendendo amendoin pensam "Mais que menino pequetitico..." e sempre compram na mão dele. O pai, fica sentado numa praça com a sua bandeija de amendoins cheia, enquanto o pequetitico Rael trabalha forte, cansativo, ele e o seu irmão, maiorzinho um pouco.
Sempre que estou na praça tocando violão ele vem conversar comigo. Teve um dia que ele não guentava mais trabalhar, sentou ao meu lado e suspirou forte, tadinho, estara cansado e não poderia falar nada, pobre garotinho inocente.
- E aí cabeludo --- diz ele com uma voz fininha e cheio de gírias.
- Fala mosquinha, conseguiu vender bastante ? ( sempre que faço essa pergunta ele não responde, virando a cara ).
Fica conversando comigo uns dois minutinhos e depois sai pra vender mais.
Um dia estava numa lanchonete daqui do Júlio conversando com amigos, até quando vejo ele sentar ao meu lado, dessa vez ficamos conversando pra valer, por uns minutinhos a mais. Olhei pra carinha dele exausta e disse :
- Fala mosquinha.
- Diga cabeludo
- Me diz uma coisa, do que você gosta de brincar ?
- Gosto de jogar futebol, basquete, picula.... várias coisas, cabeludo. ( toda vez que olha pra minha cara e fala alguma coisa, me chama de cabeludo com uma cara meio que de infezadinho. )
Mas é isso, esse exemplo do pequeno grande Israel que queria passar aqui. Vemos nas ruas de nossa rotina crianças ralando bastante, como gente grande pra conseguir um pão com cafézinho de cada dia numa bela manhã. Serve para agente sempre fazer o bem pra essas crianças inocentes, não olhar pra elas de uma outra forma, porque essas crianças tem todo o direito do mundo de crescer como pessoas saudáveis e com uma cidadania boa de estatuto estável. Mas é complicado, sempre a desigualdade social vem ao meu olhar, ao meu olhar de preocupação, olhar de desespero, enfim, olhar de decepção.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Quem roubou meu futuro ?
Minha escritora favorita, professora-amiga-conselheira é o que Cirlene tem sido pra mim, muito importante para mim e para o meu conhecimento. Finalista do 3ª Concurso Causos do ECA, elogiada pelo maior pensador desse Brasil, o Gabriel Pensador, minha professora, que orgulho. Uma grande incentivadora e inspiradora d'eu escrever e devo isso muito a ela.
3ª colocada do Concurso Causos do ECA.
Tranquila, simpatissísima, gente boa, brotherzona, mas, não é daquelas professoras que bota a mão na cabeça dos alunos, e isso admiro muito nela, tem o seu jeito de professora mizeravona ( trabalho feito a mão de 50 questões que o diga ) mas no fundo ela é uma professora maravilhosa e só quer o bem de todos.
"...chega de lero-lero e nem vem pra cá que te quero..."
Por Cirlene Maria Vilas Boas Cunha, com vocês :
Quem roubou meu futuro ?
Falo por um adolescente filho desta nação,
O que poderia servir a outros na mesma situação.
Faço uma denúncia: tentaram roubar seu futuro,
Tirar a esperança do seu coração.
Tentaram roubar seu futuro.
Ele é jovem, ele é duro.
Não sabe o que fazer e nem para onde ir.
Tomaram o seu amanhã
E ele não sabe até quando vai resistir.
Ei, vocês, que venderam o futuro desse garoto
Pelo preço dos trinta dinheiros da corrupção.
Vocês que manipulam a vida de toda a população,
Escutem com atenção:
Temos um novo pensamento,
Para vocês, nós somos a contra-mão.
Levanto esta questão que, inclusive, se faz urgente.
De repente, não mais que de repente,
Defendemos em alto e bom som os direitos genuínos desta gente
De toda criança e de todo adolescente.
Direitos que lhes querem negar, de tanto que aqui
As coisas estão de pernas para o ar.
Direitos de um povo sofrido,
De mãos para o alto em vários tipos de assalto.
Mas que ainda pode bradar.
Falar mais firme, falar mais alto, seus direitos reivindicar.
Seu nome é José Vicente e o que acontece com ele,
Acontece com muito mais gente.
Tem apenas 15 anos de miséria e sofrimento profundo.
Sua mãe, além dele, tem mais cinco, Sendo cada um de cada pai
Que deixou a semente e caiu no mundo.
Vicente trabalha desde pequenino,
Catando lata e papel no lixo,
Para vender e ganhar um trocado para comprar comida
E assim ajudar sua mãe
E assim vai tocando a sua dura vida.
Amanhece e lá vai ele,
Trilhando o mesmo caminho.
Muito mal come um pão.
Nem sonha com o tal "danoninho".
Brincar então, nem pensar.
O que ele sabe sobre direitos e igualdade,
Sem distinção de raça, de classe ou naturalidade?
Quem lhe avisa que todos somos filhos iguais
De uma pátria amada, mãe gentil
Que, como boa genitora,
Não deveria fazer distinção entre as crias?
Apesar de toda a miséria e necessidade de trabalhar,
Vicente está na escola, mas não gosta muito de estudar.
Cansado, desnutrido e desatento,
Como aluno não chega a brilhar.
Mas esse menino tem um grande talento
E sempre que dá, se põe a pintar
Onde pode e até onde não pode.
Ele gosta mesmo é de desenhar.
Exímio nessa arte, qualquer um percebe.
Falta material, mas sobra imaginação.
Ele risca paredes, carteiras, o chão, tudo o que vê.
Nas ruas, picha muros.
Essa é sua mania.
Na escola, todos reclamavam de Vicente.
Só vivia na diretoria.
Nas ruas tomava até surra.
Sua arte ninguém entendia.
Como sua professora, sensível ao seu talento e história,
confiei em seu potencial e idealizei um projeto.
Uma oficina de arte.
Dando uma força e fazendo minha parte.
Consegui apoio da diretora da unidade escolar
E doação de material.
Selecionamos alunos interessados, alunos carentes.
Um dos mais empolgados era ele mesmo, justamente.
O garoto rebelde, o nosso Vicente.
Confiamos a ele algumas paredes onde, com tintas doadas, ele pudesse se expressar.
Um lindo trabalho de grafitagem estampou-se na escola,
De que ele, então, aprendeu a gostar.
Todos o elogiaram e passaram a valorizar.
Sua auto-estima teve uma melhora considerável.
A escola manteve exposto o seu trabalho admirável.
Suas notas melhoraram, seu comportamento também.
Sentiu-se mais gente, mas os benefícios foram além.
Seu dom foi, por muitos, reconhecido.
Atualmente, bem mais crescido,
Vicente já não picha e nem rabisca em qualquer lugar.
Somente em telas, camisetas e paredes
Que lhe pagam para pintar.
E assim ele vive dignamente do seu dom,
Como um menino artista; um menino bom.
E o futuro quase roubado de um filho da pátria amada,
Foi, de certa forma, pela escola resgatado.
Futuro presente na vida do nosso Vicente.
Futuro um pouco mais digno, um pouco mais decente.
Futuro com direitos que servem a ele
E a qualquer outro adolescente.
Direitos garantidos por Estatuto vigente.
Que, inclusive, no artigo 58,
Determina que o processo educacional
Respeite o seu valor artístico e cultural.
Fonte : http://www.promenino.org.br/CausosdoECA/tabid/56/TabId/77/ConteudoId/00cda6ce-c233-4ca6-9e63-503bea9e7089/Default.aspx
3ª colocada do Concurso Causos do ECA.
Tranquila, simpatissísima, gente boa, brotherzona, mas, não é daquelas professoras que bota a mão na cabeça dos alunos, e isso admiro muito nela, tem o seu jeito de professora mizeravona ( trabalho feito a mão de 50 questões que o diga ) mas no fundo ela é uma professora maravilhosa e só quer o bem de todos.
"...chega de lero-lero e nem vem pra cá que te quero..."
Por Cirlene Maria Vilas Boas Cunha, com vocês :
Quem roubou meu futuro ?
Falo por um adolescente filho desta nação,
O que poderia servir a outros na mesma situação.
Faço uma denúncia: tentaram roubar seu futuro,
Tirar a esperança do seu coração.
Tentaram roubar seu futuro.
Ele é jovem, ele é duro.
Não sabe o que fazer e nem para onde ir.
Tomaram o seu amanhã
E ele não sabe até quando vai resistir.
Ei, vocês, que venderam o futuro desse garoto
Pelo preço dos trinta dinheiros da corrupção.
Vocês que manipulam a vida de toda a população,
Escutem com atenção:
Temos um novo pensamento,
Para vocês, nós somos a contra-mão.
Levanto esta questão que, inclusive, se faz urgente.
De repente, não mais que de repente,
Defendemos em alto e bom som os direitos genuínos desta gente
De toda criança e de todo adolescente.
Direitos que lhes querem negar, de tanto que aqui
As coisas estão de pernas para o ar.
Direitos de um povo sofrido,
De mãos para o alto em vários tipos de assalto.
Mas que ainda pode bradar.
Falar mais firme, falar mais alto, seus direitos reivindicar.
Seu nome é José Vicente e o que acontece com ele,
Acontece com muito mais gente.
Tem apenas 15 anos de miséria e sofrimento profundo.
Sua mãe, além dele, tem mais cinco, Sendo cada um de cada pai
Que deixou a semente e caiu no mundo.
Vicente trabalha desde pequenino,
Catando lata e papel no lixo,
Para vender e ganhar um trocado para comprar comida
E assim ajudar sua mãe
E assim vai tocando a sua dura vida.
Amanhece e lá vai ele,
Trilhando o mesmo caminho.
Muito mal come um pão.
Nem sonha com o tal "danoninho".
Brincar então, nem pensar.
O que ele sabe sobre direitos e igualdade,
Sem distinção de raça, de classe ou naturalidade?
Quem lhe avisa que todos somos filhos iguais
De uma pátria amada, mãe gentil
Que, como boa genitora,
Não deveria fazer distinção entre as crias?
Apesar de toda a miséria e necessidade de trabalhar,
Vicente está na escola, mas não gosta muito de estudar.
Cansado, desnutrido e desatento,
Como aluno não chega a brilhar.
Mas esse menino tem um grande talento
E sempre que dá, se põe a pintar
Onde pode e até onde não pode.
Ele gosta mesmo é de desenhar.
Exímio nessa arte, qualquer um percebe.
Falta material, mas sobra imaginação.
Ele risca paredes, carteiras, o chão, tudo o que vê.
Nas ruas, picha muros.
Essa é sua mania.
Na escola, todos reclamavam de Vicente.
Só vivia na diretoria.
Nas ruas tomava até surra.
Sua arte ninguém entendia.
Como sua professora, sensível ao seu talento e história,
confiei em seu potencial e idealizei um projeto.
Uma oficina de arte.
Dando uma força e fazendo minha parte.
Consegui apoio da diretora da unidade escolar
E doação de material.
Selecionamos alunos interessados, alunos carentes.
Um dos mais empolgados era ele mesmo, justamente.
O garoto rebelde, o nosso Vicente.
Confiamos a ele algumas paredes onde, com tintas doadas, ele pudesse se expressar.
Um lindo trabalho de grafitagem estampou-se na escola,
De que ele, então, aprendeu a gostar.
Todos o elogiaram e passaram a valorizar.
Sua auto-estima teve uma melhora considerável.
A escola manteve exposto o seu trabalho admirável.
Suas notas melhoraram, seu comportamento também.
Sentiu-se mais gente, mas os benefícios foram além.
Seu dom foi, por muitos, reconhecido.
Atualmente, bem mais crescido,
Vicente já não picha e nem rabisca em qualquer lugar.
Somente em telas, camisetas e paredes
Que lhe pagam para pintar.
E assim ele vive dignamente do seu dom,
Como um menino artista; um menino bom.
E o futuro quase roubado de um filho da pátria amada,
Foi, de certa forma, pela escola resgatado.
Futuro presente na vida do nosso Vicente.
Futuro um pouco mais digno, um pouco mais decente.
Futuro com direitos que servem a ele
E a qualquer outro adolescente.
Direitos garantidos por Estatuto vigente.
Que, inclusive, no artigo 58,
Determina que o processo educacional
Respeite o seu valor artístico e cultural.
Fonte : http://www.promenino.org.br/CausosdoECA/tabid/56/TabId/77/ConteudoId/00cda6ce-c233-4ca6-9e63-503bea9e7089/Default.aspx
sábado, 16 de fevereiro de 2008
"Uma esmola pelo amor de Deus, uma esmola por caridade..."
Quantas vezes eu passo pelo sinal fechado e vem um garotinho, uma senhora gravida ou não, senhores com deficiencias físicas, mulheres com filhos no colo e me pedem uma esmola... o que acho "legal" mas não sendo porque lugar de criança é na escola, é aqueles garotinhos que ficam na frente do sinal fechado fazendo malabares, as vezes quando passo de carro ou mesmo andando dou um trocado que me restou na calça. Mas, o gesto que mais me chamou atenção foi de dois garotinhos lá na Cidade Baixa, próximo ao Ferry Boat, eu estava chegando da ilha, eles estavam fazendo malabares : O mais novo ficava em cima de um mais velho resistente e começava a fazer aqueles malabares : Jovaga a perna pro alto e passava por baixo, jogava pra um lado, pro outro, o mais velho se segurando, cambaleava mas os dois meninos faziam os malabares perfeito. Ao terminar os malabares os dois meninos botavam as suas mãozinhas perto do vidro dos carros pedindo uma esmola, eu acho que a maioria das pessoas gostaram desses garotinhos, pois ninguém fechou a vidro do carro, pelo menos pelo o que eu vi, quando chegou no carro que estava com minha prima, segurei a mão dele e joguei umas 2 ou 3 moedas, o garotinho inocente botou um sorrisão no rosto e disse :
- Obigado. - recontribuí o sorriso.
Tem uns meninos de rua que se juntam para fazer grupinhos para assaltar pessoas, com facas, canivetes, etc, mas creio eu que seja só pra assustar, eles só querem uma vida mais saudável, as vezes o pobre coitado tá passando fome, mas tem muito vagabundo por aí que gosta de assaltar por assaltar que gosta de ganhar a vida fácil.
...esse é o nosso BRASIL.
- Obigado. - recontribuí o sorriso.
Tem uns meninos de rua que se juntam para fazer grupinhos para assaltar pessoas, com facas, canivetes, etc, mas creio eu que seja só pra assustar, eles só querem uma vida mais saudável, as vezes o pobre coitado tá passando fome, mas tem muito vagabundo por aí que gosta de assaltar por assaltar que gosta de ganhar a vida fácil.
...esse é o nosso BRASIL.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Ilha de Amoreiras.
Hoje falarei um pouco das minhas férias de 2008 que passei no sossego absoluto da ilha de Amoreiras.
Como sempre no iníciozinho de fevereiro passo o meu carnaval na ilha, sempre acompanhado de familiares: irmão, cunhada, primos, primas, avós, tias, papagaio, cachorro... e por aí vai.
Nesse ano não pôde ser diferente, muito sol, praia, cerveja, noites em praças. É mais um ano na ilha, mais um dia e uma noite fora do cotidiano de Salvador. Casa de frente à praia, contato absoluto com a natureza, longe de edifícios que tapam da janela da minha casa o mar.
Rapaziada acordava tarde e ainda iria tomar café porque o almoço ainda não estaria pronto. Para a praia, ia todo mundo junto. Praia sem ondas, vê aquele horizonte sem fim, como queria ser nativo, acordar e já dar com um céuzão azul e um mar se contracenando só pra você, não tem preço.
Velha rotina amorense: Acordar e ir a praia, da praia pra casa, voltando da praia, almoçar... geralmente almoçavamos tarde, lá pras 14:00h, 15h00h. A noite, as vezes iria para a pracinha onde rola o famoso "pagodão" na praça de amoreiras.
Pegava minha viola e ia pra frente do mar cantando, arranhando bastante a moça, cantava sem nem sentir que tinha gente por ali, quanta inspiração olhando aquele mar. As vezes ficava assistindo na TV os desfiles das escolas de samba com a minha vó, olhando pro lado via ela fascinada com os olhos brilhando e dizendo : Isso sim que é carnaval !
Noite em que ficavamos sentados num pé de árvore bebendo vinho, conversando e olhando o povo que passara por lá.
Na praia ficava horas avistando aquele horizonte e a Ilha do Medo, longe, na qual sempre quis me aventurar nela, mas como ? nadando que não poderia ser, então... só avistava.
O pessoal iria dar uma volta de carro lá na Ilha de Itaparica, mas chegamos tarde, não tinha um pé de pessoa na rua, a época do carnaval deles já passou, caminhando pela rua, nos perdendo pelas ruas. Itaparica lembra muito o Pelourinho, é a ilha mais "ajeitadinha" das ilhas mas nada se comparava a minha amada Amoreiras que era mais contato, mais pessoas, mais calor. Itaparica é mais ajeitada, tem a orla toda arrumadinha, hoteis super xiques, casas estilo aquelas do Pelourinho.
Volta meio triste pra Salvador, deixar meu "interiorzinho", sempre bate uma tristeza. Um último olhar pro mar e até o próximo ano. "Cultivem esse mar, não joguem lixos nas areias da minha amoreiras!"..."Tchau bonitona, até ano que vem, irei sentir saudades...".
Como sempre no iníciozinho de fevereiro passo o meu carnaval na ilha, sempre acompanhado de familiares: irmão, cunhada, primos, primas, avós, tias, papagaio, cachorro... e por aí vai.
Nesse ano não pôde ser diferente, muito sol, praia, cerveja, noites em praças. É mais um ano na ilha, mais um dia e uma noite fora do cotidiano de Salvador. Casa de frente à praia, contato absoluto com a natureza, longe de edifícios que tapam da janela da minha casa o mar.
Rapaziada acordava tarde e ainda iria tomar café porque o almoço ainda não estaria pronto. Para a praia, ia todo mundo junto. Praia sem ondas, vê aquele horizonte sem fim, como queria ser nativo, acordar e já dar com um céuzão azul e um mar se contracenando só pra você, não tem preço.
Velha rotina amorense: Acordar e ir a praia, da praia pra casa, voltando da praia, almoçar... geralmente almoçavamos tarde, lá pras 14:00h, 15h00h. A noite, as vezes iria para a pracinha onde rola o famoso "pagodão" na praça de amoreiras.
Pegava minha viola e ia pra frente do mar cantando, arranhando bastante a moça, cantava sem nem sentir que tinha gente por ali, quanta inspiração olhando aquele mar. As vezes ficava assistindo na TV os desfiles das escolas de samba com a minha vó, olhando pro lado via ela fascinada com os olhos brilhando e dizendo : Isso sim que é carnaval !
Noite em que ficavamos sentados num pé de árvore bebendo vinho, conversando e olhando o povo que passara por lá.
Na praia ficava horas avistando aquele horizonte e a Ilha do Medo, longe, na qual sempre quis me aventurar nela, mas como ? nadando que não poderia ser, então... só avistava.
O pessoal iria dar uma volta de carro lá na Ilha de Itaparica, mas chegamos tarde, não tinha um pé de pessoa na rua, a época do carnaval deles já passou, caminhando pela rua, nos perdendo pelas ruas. Itaparica lembra muito o Pelourinho, é a ilha mais "ajeitadinha" das ilhas mas nada se comparava a minha amada Amoreiras que era mais contato, mais pessoas, mais calor. Itaparica é mais ajeitada, tem a orla toda arrumadinha, hoteis super xiques, casas estilo aquelas do Pelourinho.
Volta meio triste pra Salvador, deixar meu "interiorzinho", sempre bate uma tristeza. Um último olhar pro mar e até o próximo ano. "Cultivem esse mar, não joguem lixos nas areias da minha amoreiras!"..."Tchau bonitona, até ano que vem, irei sentir saudades...".
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