Solidão tomou conta
Onde você não vê ninguém
Num final de tarde
Cheio de nuvens
Onde você não possa fazer nada
Ou se quer compartilhar assuntos
Então você ficara alí
Sozinho
Talvez da sua janela
Olhando uma rua
Tão só como você
Ou tão brilhante
Como os teus olhos cheios de esperança
Sigo o meu caminho perambulando pela praça
Esquematizando o meu repertório
A rua será o meu público
Com todas as atenções voltadas pra mim
Finalmente, consegui
Agora canto
Canto até o canto dos pássaros me acompanhar
Com eles minha melodia só tem a se expressar
Tarde indo embora
Pessoas começam a aparecer
Como um flash
Sem sequer bater
À uma sintonia forte
Brava
E ao mesmo tempo
Um cântico doce como uma flauta
O sol já vai se pondo
Daqui a pouco
Mais uma noite se aproximando
Tento levar como uma última vez
Como se aquele encontro simples
Se transformasse numa tarde inesquecível
Pelo amanhã eu espero
Por outra tarde daquelas
Com os pássaros vindo novamente
E eu na espera.
5 comentários:
A poesia é massa...Mas não gosto dessas coisas de solidão não!!!Eu tenho medo de fikar só...e de morrer!!!
Parece meio louco de minha parte ou até mesmo infantil mas eu sou assim!!!
Ainda vou ver um lançamento de um livro seu...pode acreditar!!!
Beijooooooooooooooooooooooooo
heheh...livro? Nossa, tb quero ver...Bom, o poema está super legal e o tema foi sentido e bem expresso por vc...mas espero que tudo isso seja passageiro...pq vc está cheio de amigos e pessoas legais que farão de sua solidão momentos de felicidade...então avante !!
Abraço
Hum.. Gostei. Está melhorando a cada texto. Menos erros. Mais desenvoltura. Mais intimidade com o ato de escrever.
Gostei particularmente deste tema....´música, pássaros...e solidão...sim, solidão..pq não?
A solidão é uma realidade. E uma pessoa tem q saber lidar com ela. Tem q saber estar bem só. Tem q saber ser boa companhia p si mesmo..ou melhor ainda se souber se sentir bem acompanhado pela música, pela tarde, pelos pássaros.... Ixe, isso daria até tema para um outro texto, ou para uma música ( sugestão ):-) Mandou bem, Rodrigo.
Este é mais poético. Gosto disso.
RESGATEI O MEU FUTURO.
Chiquinho é mais um filho quase abortado
Da nossa mãe gentil. Pátria amada; Brasil.
Mais um filho quase perdido na jornada,
Entregue à própria sorte, nessa longa estrada.
Triste sina do menino, largado no mundo.
Um pobre coitado, taxado de vagabundo.
Frustração é o resumo do seu ser.
Filho da miséria, condenado a padecer
Vendendo doces nas ruas pra poder sobreviver.
Nunca brincou. Pouco estudou.
A cantiga de ninar que sempre escutou:
" Boi, boi, boi, boi-da-cara-preta,
Pega este menino com um tiro de escopeta"
(Valeu ai, Pensador).
Ele não foi vacinado. Ele não é batizado.
Nunca foi consultado. Ele não é comemorado.
Ele não é respeitado. Ele não é pecador.
Pode até nem parecer, mas ele é filho do Senhor.
Chiquinho chegou tristemente à adolescência,
Sem saber a razão da sua existência.
À que veio a este mundo com tanta violência.
Mesmo tendo mãe biológica; aquela que o pariu,
Morava pelas ruas, sentindo fome, sede e frio.
Já nasceu renegado e cresceu atormentado.
Sem ter muito o que esperar,
Tinha tudo para ser um revoltado
E por vezes ele até se revoltou.
Mas nunca roubou. Nunca Matou.
Felizmente houve como resgatar
Sua esperança. Sua auto-estima,
Antes de aprender a assaltar, matar e roubar.
No paupérrimo bairro onde cresceu
andando solitário,
Chegou um projeto social que lhe mudou o itinerário.
Nasceu dentro dele uma enorme vontade.
Um desejo muito forte de mudar a realidade.
De não ser mais um culpado inocente,
Cumprindo pena imposta por sistema indecente.
Fundação Cidade-Mãe é o nome da entidade,
Com projetos de oficinas para o menor carente,
Oferece-lhes oportunidade de sair das ruas
E de se tornarem pessoas com futuro diferente.
A educação, já se sabe, é o caminho a ser percorrido
para que se vire o jogo.
Jogo sujo. Aliás; jogo imundo.
Onde o povo aceita todas as regras.
Onde se aceita absolutamente tudo.
Onde há passividade e ninguém faz nada.
Nem a classe dominante, nem a classe dominada.
É regra, inclusive, deixar a população ignorante.
É regra também deixar toda gente ignorada.
É regra deixar o povo cada vez mais calado.
E dizem por ai que a voz do povo é a voz de Deus.
O silêncio, então, deve ser a do diabo.
Mas Chiquinho viu a fome chegar.
Fome de comida e fome de futuro.
Fome de comer e fome de estudar.
Resolvido, desta forma, a derrubar o muro,
Inscreveu-se no projeto e começou a frequêntar
Oficina de dança. Curso profissionalizante.
Foi até discrimidado, mas seguiu adiante.
Tomou gosto e logo foi se empolgando.
Dedicou-se muito, e um pouco mais lá na frente,
Recebeu belo convite. Uma proposta decente,
Para ir ao exterior propagar o seu talento;
Dançar, interpretar, lecionar e lá ficar.
Estabeleceu-se na Itália, ganhando muito bem
Como professor de dança africana.
Venceu como profissional e como gente também.
Hoje ele sustenta de longe a sua genitora,
Que continua na Pátria que o pariu.
Ambas devem orgulhar-se deste filho
Que hoje tem uma vida e uma identidade.
A vida que de fato ele merece ter,
E tem certeza de que é gente de verdade.
É um exemplo vivo de que cultura é postura,
É ter opinião e saber se expressar.
É ter dignidade e poder se sustentar.
Cultura, na verdade, é o que pode garantir
O direito de olhar à frente e poder seguir.
Educação é possibilidade de contestação social,
E de viver dignamente sem levar porrada
Parado no mesmo lugar, sendo saco de pancada.
Para garantir artigos de determinado Estatuto,
que defende direitos de crianças e adolescentes,
Existe esta Fundação de natureza governamental.
Que tem todo um trabalho social
Em prol destes direitos que vale mencionar:
Direito de ser cuidado.
Direito de receber educação.
De ter acesso à cultura e lazer.
De não ser humilhado e conseguir sobreviver.
Direito de não ser espancado pela vida.
Direito de ser protegido.
E de não apanhar da mãe-pátria querida.
Direito de ter direitos,
Para não mais ser constrangido.
Todos eles, previstos por lei,
São o foco desta referida instituição
De assistência ao menor cidadão,
Que vem somando vários exemplos,
De que é preciso investir em educação,
Pois é assim que se constrói a cidadania
Do menor que está em formação.
Assim é que se vence a dura realidade,
É assim que se supera as adversidades.
Pois quando a gente muda, o mundo muda igual.
E quando o mundo muda, muda a nossa mente.
E na mudança da mente, muda a situação social.
Portanto, que se faça valer as leis referentes
Aos direitos de todo povo, sem restrições.
E que venham muitas e muitas outras Fundações.
Assim ainda resta, ao povo sofrido que passa mal,
Esperança de poder aparecer no cartão postal,
Sem ser considerado um sub-cidadão,
E de não ser mais um excluído social,
Nem ser visto pelos mais ricos como poluição.
Rodrigo, e você ainda queria esconder tanta beleza?! Rs Obrigada por me permitir conhecer tanta sensibilidade, você é talentoso demais, urbanóide!
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