"...Simplesmente, a carne dos Deuses em minha cara, eu volto ao monte, eu volto ao monte..."
Tocava no carro de Cristiano, "a carne dos Deuses" da banda Scambo rumo ao centro de Salvador.
Estávamos indo pesquisar um violão para Cristiano e para ajudar com a nossa pré-produção da Musitecnia.
Na ida até a Barra, tranquilidade, nós já acostumados com a orla de Salvador e com o mar, pois moro perto da praia e sou morador de orla.
Chegando ao centro, um susto. Havia muita gente em uma só rua, coisas que não via quase nunca na Pituba, "lá você encontra de tudo" já dizia Irna, moradora de Nazaré. Já imaginaria que iria ficar com dor de cabeça com aquele todo trânsito. Uma zoadeira danada de automóveis estilo São Paulo, que tava difícil de acostumar. Quase pergunto a Cris se não estaríamos em uma Av. Paulista ou Augusta da vida. "Tanto tempo que não passo por aqui" pensava. Posso até está exagerando, mas eu parecia um estrangeiro em ruas movimentadíssimas que não passava a tempos.
Vendo o Pelourinho, me dei conta que estaríamos realmente em Salvador. E por fim, chegamos.
No Pelourinho viamos toda a beleza cultural baiana, nego fazendo tranças, capoeiristas, bem no centro da principal praça, eu e Cristiano nos deparamos com um turista/hippie. Paramos para ver junto com umas 10 pessoas ao seu redor, todas fascinadas com a sua obra.
Um boneco de pano feito por ele, que tocava uma "mini-bateria" ao som de um reggae roots que o mesmo botava pra acompanhar. Ia tirar uma foto, só que tinha esquecido o celular no carro.
Foi uma passeio tranquilo, tirando o sol escaldante na cabeça e os moradores de rua pedindo esmola e já pegando seu braço para por uma fitinha do Senhor do Bonfim, me confundindo com turista. Era foda, mas falava alguma linguagem bem baianês e eles já deixavam pra lá, sacando que não era mais um de muitos um turistas que passara por ali.
Lojas de instrumentos era o que não faltava, passamos por umas cinto ou seis lojas para ver o violão. Enquanto Cristiano ia testanto e uns violões eu ia vendo umas guitarras e baixo.
- Deixa eu ligar pra ficar melhor. - o vendedor dizia ligando, não dando tempo para dizer que só estaria dando uma "olhadinha".
- Agora sim.
E já estava tocando com um som ligado à caixa.
Em cada loja que entravamos sempre havia alguém tocando algum instrumento: bandolin, violão, atabaques... até certos vendedores ficavam tocando, passando o tempo deo trampo enquanto não aparecia clientes na loja.
Entramos numa última loja para ver o violão, a Ritmos.
Cris tinha deparado com um Kashima preto.
- Rapaz, você não é desconhecido. - disse o vendedor, moderno, que toca em uma banda de rock, que esqueci agora o nome. - Você anda por ali pelo Nhô Caldos no Rio Vermelho, não é? - perguntou a Cristiano.
Ele, nato morador e criado no Rio Vermelho, disse que sim.
Cris pregou o olho no Kashima.
- É esse.
Demos uma outra volta para ver instrumentos em outras lojas, e Cristiano se decidiu pelo Kashima.
Nos despedimos do vendedor e fomos para o estacionamento onde estaria o carro.
Na volta ao som do Cascadura das antigas, Dr.Cascadura, voltavamos pela Barra, com o sol agora um pouco mais baixo e com o Kashima preto na bagagem. Com a dor de cabeça sacana. Era o início da nossa pré-produção com a Musitecnia.
3 comentários:
Hahahahaha.
As aventuras de Rodrigo e Fessor como turistas na própria terrinha....Hilário.
Realmente o Pelô é um lugar bem "baiano"... qdo vou lá me sinto mais baiana. Não sei se isso é bom ou ruim..É uma pena que o lugar não receba cuidados, segurança, etc...mas, enfim...
Legal. Muito bom o texto, e como sempre, digo a vc mais uma vez: Escreva, escreva, escreva....e leia, leia, leia......
BEIJÃO da pró
esse texto e muito ilario, por conhesor Clistiano e ele tem esse jeito mesmo rodrigo nem se falar, mas esses dois são muito legais falar serio sem cometarios pra vc show de bola e tudo mas carra não deixe de conta essas historias muito bom, fuiiiiii {^.^} parceiro =D
Muito massa!
=]
haushaush!
beijossssss, lai
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