quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Em que universidade se ensina a pensar antes de reagir?

Em que universidades se treina sistematicamente os alunos para decifrar o código da capacidade de pensar antes de reagir? Os universitários judeus, palestinos, europeus, chineses, americanos, saem com milhões de informações em seu intelecto. Muitos decifram a linguagem da razão, mas poucos a da sensibilidade e do carisma. Muitos decifram a linguagem do individualismo, mas poucos a do altruísmo, por isso não entendem que os fortes usam as idéias, enquanto que os fracos, as armas. Os fracos impõem suas verdades, os fortes as submetem ao debate; os fracos segregam-se em seus feudos, os fortes lutam pela espécie humana.
Por não trabalharem a verdadeira força, alguns recuam diante das perdas; outros, ao contrário, reagem agressivamente diante delas. Não equipam sua capacidade de pensar antes de reagir, não elaboram suas respostas nos focos de tensão.
Quantos seres humanos estão no ápice do desespero nesse exato momento, inclusive pensando em tirar suas vidas, porque não aprenderam a confrontar, discordar, reciclar, os pensamentos pessimistas? Como é possível sobreviver sem decifrar esse código? A mente pensa tolices, a emoção dá crédito a elas e o Eu ingênuo que não sabe descaracterizá-las e filtrá-las, paga a conta. A vida tão bela e singela torna-se, assim, uma fonte de ansiedade.

Relações falidas sem decifrar os códigos.

Pais e professores que não treinaram para ler as letras do alfabeto da gestão da sua psique e da arte de pensar antes de reagir, terão reações desproporcionais diante de desapontamentos dos filhos ou alunos. Controlarão, bloquearão, tolherão, mas não educarão. Amantes se machucarão mutuamente por diminutos comportamentos que rejeitaram. Colegas de trabalho terão ciúmes fatais dos pares que se destacarem.
Quantos seres humanos socialmente invejados, como executivos, médicos, jornalistas, no silêncio de suas casas ou escritórios, não ferem quem mais amam? São calmos quando seu íntimo lhes dão retorno, mas explosivos quando turvam as suas expectativas. Será que nos recolhemos no templo da paciência diante dos íntimos que nos decepcionam?
Alguns dizem "eu sou sincero. Sou marcadamente honesto, tudo que vem à minha mente eu falo." Na realidade, seu excesso de honestidade é um reflexo de que não decifraram o código do autocontrole. São servos de seus impulsos. Há pessoas insuspeitas que lesam seriamente o direito dos outros.
Em que instituição religiosa e social se treina o Código do Altruísmo e o código da capacidade de se colocar no lugar dos outros? Enxergar os outros com nossos olhos é uma tarefa superficial, não exige treinamento. Mas enxergá-los com os olhos deles exige refinado treinamento.
Sem decifrar esses códigos, ainda que sejamos profissionais de saúde mental, jamais entenderemos as lágrimas que não foram choradas, as dores que não foram expressas, os conflitos que não foram verbalizados. Tudo o que falarmos do outro será um espelho do que somos e não do que eles realmente são. Não respeitaremos as divergências. Não entenderemos que exigir que os outros sintam e pensem como nós é uma exigência insana e inumana. É não compreender que nossas diferenças são decorrentes de nossas complexidades psíquica e nenhuma delas nos exclui da fascinante família humana.
Líderes políticos e religiosos, se não decifrarem o código de se colocar no lugar dos que o confrontam, cometerão canibalismo psíquico. Bloquearão, silenciarão, excluirão. Creiam, o canibalismo não foi extinto na atualidade, apenas assumiu outras formas. Alguns anulam seus pares em nome dos seus dogmas, outros em nome da nação, religião, ideologia, raça, teoria "científica".

Texto tirado do livro "O Código da Inteligência" de Augusto Cury.

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