quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Quem roubou meu futuro ?

Minha escritora favorita, professora-amiga-conselheira é o que Cirlene tem sido pra mim, muito importante para mim e para o meu conhecimento. Finalista do 3ª Concurso Causos do ECA, elogiada pelo maior pensador desse Brasil, o Gabriel Pensador, minha professora, que orgulho. Uma grande incentivadora e inspiradora d'eu escrever e devo isso muito a ela.
3ª colocada do Concurso Causos do ECA.
Tranquila, simpatissísima, gente boa, brotherzona, mas, não é daquelas professoras que bota a mão na cabeça dos alunos, e isso admiro muito nela, tem o seu jeito de professora mizeravona ( trabalho feito a mão de 50 questões que o diga ) mas no fundo ela é uma professora maravilhosa e só quer o bem de todos.

"...chega de lero-lero e nem vem pra cá que te quero..."
Por Cirlene Maria Vilas Boas Cunha, com vocês :



Quem roubou meu futuro ?



Falo por um adolescente filho desta nação,
O que poderia servir a outros na mesma situação.
Faço uma denúncia: tentaram roubar seu futuro,
Tirar a esperança do seu coração.
Tentaram roubar seu futuro.
Ele é jovem, ele é duro.
Não sabe o que fazer e nem para onde ir.
Tomaram o seu amanhã
E ele não sabe até quando vai resistir.
Ei, vocês, que venderam o futuro desse garoto
Pelo preço dos trinta dinheiros da corrupção.
Vocês que manipulam a vida de toda a população,
Escutem com atenção:
Temos um novo pensamento,
Para vocês, nós somos a contra-mão.
Levanto esta questão que, inclusive, se faz urgente.
De repente, não mais que de repente,
Defendemos em alto e bom som os direitos genuínos desta gente
De toda criança e de todo adolescente.
Direitos que lhes querem negar, de tanto que aqui
As coisas estão de pernas para o ar.
Direitos de um povo sofrido,
De mãos para o alto em vários tipos de assalto.
Mas que ainda pode bradar.
Falar mais firme, falar mais alto, seus direitos reivindicar.
Seu nome é José Vicente e o que acontece com ele,
Acontece com muito mais gente.
Tem apenas 15 anos de miséria e sofrimento profundo.
Sua mãe, além dele, tem mais cinco, Sendo cada um de cada pai
Que deixou a semente e caiu no mundo.
Vicente trabalha desde pequenino,
Catando lata e papel no lixo,
Para vender e ganhar um trocado para comprar comida
E assim ajudar sua mãe
E assim vai tocando a sua dura vida.
Amanhece e lá vai ele,
Trilhando o mesmo caminho.
Muito mal come um pão.
Nem sonha com o tal "danoninho".
Brincar então, nem pensar.
O que ele sabe sobre direitos e igualdade,
Sem distinção de raça, de classe ou naturalidade?
Quem lhe avisa que todos somos filhos iguais
De uma pátria amada, mãe gentil
Que, como boa genitora,
Não deveria fazer distinção entre as crias?
Apesar de toda a miséria e necessidade de trabalhar,
Vicente está na escola, mas não gosta muito de estudar.
Cansado, desnutrido e desatento,
Como aluno não chega a brilhar.
Mas esse menino tem um grande talento
E sempre que dá, se põe a pintar
Onde pode e até onde não pode.
Ele gosta mesmo é de desenhar.
Exímio nessa arte, qualquer um percebe.
Falta material, mas sobra imaginação.
Ele risca paredes, carteiras, o chão, tudo o que vê.
Nas ruas, picha muros.
Essa é sua mania.
Na escola, todos reclamavam de Vicente.
Só vivia na diretoria.
Nas ruas tomava até surra.
Sua arte ninguém entendia.
Como sua professora, sensível ao seu talento e história,
confiei em seu potencial e idealizei um projeto.
Uma oficina de arte.
Dando uma força e fazendo minha parte.
Consegui apoio da diretora da unidade escolar
E doação de material.
Selecionamos alunos interessados, alunos carentes.
Um dos mais empolgados era ele mesmo, justamente.
O garoto rebelde, o nosso Vicente.
Confiamos a ele algumas paredes onde, com tintas doadas, ele pudesse se expressar.
Um lindo trabalho de grafitagem estampou-se na escola,
De que ele, então, aprendeu a gostar.
Todos o elogiaram e passaram a valorizar.
Sua auto-estima teve uma melhora considerável.
A escola manteve exposto o seu trabalho admirável.
Suas notas melhoraram, seu comportamento também.
Sentiu-se mais gente, mas os benefícios foram além.
Seu dom foi, por muitos, reconhecido.
Atualmente, bem mais crescido,
Vicente já não picha e nem rabisca em qualquer lugar.
Somente em telas, camisetas e paredes
Que lhe pagam para pintar.
E assim ele vive dignamente do seu dom,
Como um menino artista; um menino bom.
E o futuro quase roubado de um filho da pátria amada,
Foi, de certa forma, pela escola resgatado.
Futuro presente na vida do nosso Vicente.
Futuro um pouco mais digno, um pouco mais decente.
Futuro com direitos que servem a ele
E a qualquer outro adolescente.
Direitos garantidos por Estatuto vigente.
Que, inclusive, no artigo 58,
Determina que o processo educacional
Respeite o seu valor artístico e cultural.



Fonte : http://www.promenino.org.br/CausosdoECA/tabid/56/TabId/77/ConteudoId/00cda6ce-c233-4ca6-9e63-503bea9e7089/Default.aspx

2 comentários:

Cirlene disse...

NOSSA! Fico muito orgulhosa e feliz com as palavras do meu querido aluno Rodrigo. E mais feliz ainda em saber que contribui para estimular nele o gosto pela leitura e pela escrita. Acredito que este sim deve ser o tipo de legado que os professores devem deixar nos seus alunos.
Rodrigo é um garoto muito legal... não posso dizer que seja um excelente aluno :-), mas notei logo o potencial que tem, o conteúdo, os interesses pelas coisas do bem, nas letras de suas músicas.
É isso ai, garoto. Se depender aqui do estímulo da tua prof vc vai se tornar um grande adulto.. de repente como o cara que nós admiramos: Gabriel o pensador, de quem tive a honra de receber um comentário sobre o meu conto publicado.
Beijão, Rodrigo, e obrigada pelo carinho.

Unknown disse...

Muito bom...Muitoo...